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O dia não findava, estava sereno, um camaleão estilador sem intenção de correr. Tornaram-se prodigiosamente antipáticos, os dias, com uma dose de ironia que nem a poesia regenera. Acreditei mesmo que concluiria a leitura de ‘Doze Contos Peregrinos’, de Márquez, contudo, por alguma razão óbvia, não fui além do ‘Boa viagem, Senhor Presidente’, o primeiro texto da obra. Fico meditando na diegese dos meus dias em Pequim e não deixo de sorrir um estranho sorriso, equilibrado, o yin-yang ou o feng shui dos sorrisos.

São uns dias desgraçados. A epidemia da modorra arrasta-se e conspurca todo o meu espaço, real ou virtual, mas não me impressiono, o desejo de rever Moçambique é mais violento, absorve-me por inteiro, nem sequer constitui apreensão a ideia de ficar sem internet por uma semana. Enfim, estes são os últimos dias destes cadernos, coisas ficaram por escrevinhar, aventuras e diabruras, mas harmonizar o tempo não é uma qualidade minha, sou mais um destemporado.

 ‘Boa viagem, Senhor Presidente’, essa é a fala que milhares de moçambicanos têm vindo a preparar.

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